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segunda-feira, 13 de julho de 2026

O Próximo Jogo Parece Sempre Melhor

(Imagem: Suriyawut Suriya)

Como andam as jogatinas de vocês? Ultimamente eu ando tão caótico que simplesmente não consigo finalizar nenhum jogo mais. Para não ser tão injusto comigo mesmo, finalizei esse ano em seis meses, dois games, que foram Resident Evil 4 Remake e Life is Strange Double Exposure. Em contrapartida estou com outros 12 jogos parados. E o pior é que nem é como se eu estivesse enjoado deles, mas eu simplesmente fico com vontade de jogar outra coisa. E não é

legal jogar algo só porque você precisa zerar. Jogar videogame é para ser divertido e não um trabalho e com isso vai se acumulando jogos, que se talvez eu tivesse um pouco mais de foco, já teria terminado.

E tipo assim, quem diabos, sabendo que está passando por um período onde não consegue finalizar jogos, decide em plena consciência pegar Assassins Creed: Odyssey para jogar? Em minha defesa eu estava obcecado pela franquia de AC ano passado, eu a conhecia de nome, mas nunca tinha pego para jogar, por não ser muito fã de stealth. Mas... acabei me apaixonando e quando vi eu já havia zerado a grande maioria deles, incluindo platinar o Origins (primeiro jogo grande que platino em minha vida e já quero jogar de novo), então pensei que me empolgaria super para finalizar o Odyssey, que também é bom para caramba, mas... já tem alguns meses que não abro ele para nada. Dito isso, desde 2022 que estou parado em Resident Evil 2 Remake naquela parte onde eu tenho que correr e me esconder do delegado, mas simplesmente morri de tedio, nunca mais abri o jogo por causa de uma parte que não leva dez minutos. Decidi que era de bom tom tentar jogar Persona 4 que provavelmente ultrapassa as 80 horas de gameplay, e pensa num joga fodastico? Mas também dei uma parada que já faz alguns meses. E Mafia III? Eu sei que todo mundo critica esse jogo por ser o pior da trilogia, muito repetitivo e mundo aberto morto, mas vejam, só, eu nunca joguei a franquia então não teria esse comparativo, e eu estava certo, mas achei a gameplay muito parecida com AC, é quase um Assassins Creed no mundo do crack, e como eu estava zerando muitos jogos Assassins Creed's, mas muitos mesmo, achei melhor dar uma parada para não enjoar. Nunca mais abri. E Just Cause 3? bem, em minha defesa essa porra é a mesma coisa o tempo todo. Tipo, nas primeiras duas horas é até divertido, mas depois disso fica chato. Tem também as dlcs de Avengers, decidi começar com a personagem mais chata que é a Gaviã Arqueira. Esse jogo já é insuportavelmente genérico, com inimigos robôs e mapas um idêntico ao outro. Eu simplesmente não consegui continuar (mas zerei a campanha principal, que por mais datada que fosse, divertiu). Sherlock Holmes The Devil Daughter é um game que eu zero um caso por ano, um dia eu termino ele. Assassins Freedom Cry é legal, mas já não aguento mais missões de escuta, e pra ser franco eu faço parte do pequeno grupo de pessoas que não suportam essa pegada pirata que veio com o Black Flag. Children of Morta, eu já não gosto de soulslike, mas eu até que estou me divertindo jogando esse, mas também dei uma pausa na época para zerar Resident Evil 4 Remake, mas até agora não voltei nele. Riviera do PSP, porque eu simplesmente peguei para jogar e estou firme e forte. E tem as dlcs de The Witcher 3 que eu preciso zerar esse ano, pois ano que vem ele sofre um upgrade e eu já não sei se conseguirei roda-lo em meu pc. 

Muitos jogos, né? Me falta disciplina. O pior que não fica apenas nos jogos, o tanto de séries e livros que eu começo e nunca chego ao fim. E a biblioteca no Steam continua a crescer, sempre com mais possíveis fontes de dopamina, pois são jogos novos, inexplorados que ativam aquela parte do cérebro que está muito ansioso pelo desconhecido que poderá te divertir por horas, mas que após algumas horas você se acostuma e seu cérebro já não recebe aquele incentivo grande do inicio. As pessoas podem argumentar que é porque eu já estou "velho" para jogos? Mas desde a adolescência eu já era assim, acho que o problema é a quantidade de opções que tenho disponíveis, uma parte das pessoas em vez de focar, acabam partido para algo que pareça melhor e diferente, novo e excitante, pois o novo é excitante, é misterioso e é uma fonte de possibilidades que você desconhece. Na adolescência eu dependia de mídias físicas (piratas, mas ainda assim mídias físicas). E não era ainda aquela época de 3 jogos por dez reais na feirinha que geralmente eram dvds mal gravados que só rodavam uma vez, eu me refiro a lojinhas especializadas em jogos, onde o dvd vinha com imagem impressa, capinha decente e custava entre 10 a 20 reais. Logo eu não podia me dar o luxo de comprar muitos jogos por meses, apenas um ou dois. E quando era esse o caso eu me divertia muito jogando o game do mês. Mas quando eu tinha uma grana extra e comprava sei lá, uns três ou quatro jogos, eu acabava ficando disperso e aproveitava apenas um daqueles jogos, com os outros três sendo "descartados" na minha "geladeira de jogos" simplesmente porque a gameplay de inicio não me cativou tanto e eu ainda tinha a possibilidade de experimentar os outros jogos que comprei. Acho que raramente revisitava os jogos que ficavam na "geladeira", pois o outro mês vinha e com eles novos jogos para comprar.

Eu acho que hoje em dia o que acontece comigo é algo parecido. Eu tenho uma vasta quantidade de opções e quando o joguinho da vez começa a ficar sem novidades, me familiarizo com a gameplay ou fica mais desafiador que divertido, eu acabo pulando para o próximo. Me falta disciplina, né? A quantidade gigante de opções que temos hoje em dia pode fazer alguns de nós não aproveitar nada como deveria, e jogamos apenas de modo raso, já ansioso pelo próximo jogo, o próximo mundo, a próxima gameplay. Não foram poucas as vezes que eu queria rushar um jogo porque estava pensando em outro, mesmo a gameplay ainda me divertindo muito. E qual o sentido disso? Se você está se divertindo, porque quer acabar logo para jogar outra coisa? É uma pergunta honesta. Eu fico me perguntando também se é pela quantidade absurda de opções que a internet hoje em dia nos dá, que muita gente acaba tendo relações rasas, ou o poliamor está tão em alta. Se é por causa da vasta quantidade de opções que séries, filmes entre outros conteúdos também já não empolgam tanto como acontecia no passado. Poxa, sua série favorita só vai ter episódio novo semana que vem? Não tem problema, tome aqui milhares de outras séries que você pode acompanhar até lá. Isso tira aquela empolgação, aquela vontade de conversar sobre, aquele entusiasmo, pois você já tem outra coisa para preencher o seu tempo livre que não se baseia na série ou filme em questão. Você não tem mais séries que ficam na memoria das pessoas por anos.

Eu não estou dizendo que isso é um problema global, ou geracional, blá, blá, blá, estou apenas desabafando sobre algo que ocorre comigo e outras pessoas que conheço, afinal isso daqui é um diário pessoal sobre jogos. No momento estou muito afim de comprar 3 jogos novos e uma DLC de um jogo que eu mal toquei nele. Em minha defesa é dlc é sobre necromantes e eu adoro esse tema, além do fato de estar numa promoção maravilhosa em que nunca esteve antes. Mas a questão é: quando eu vou jogar essa dlc? Eu realmente um dia vou jogar essa dlc ou o jogo dela? Por que minha ansiedade não me deixa aproveitar as centenas de jogos que eu tenho? Porque eu simplesmente não dou play em um jogo e relaxo nele? Está realmente tudo bem em pular de jogo em jogo sem finalizar nenhum? Afinal a intenção de um game é te divertir. Mas quando isso parece um sintoma do que qualquer outra coisa, não seria melhor se preocupar? Essa urgência sem sentido. Ela também aparece quando você não gosta de um jogo na primeira meia hora. Você simplesmente descarta aquele jogo porque pode jogar outra coisa que vai explodir pessoas ou objetos, te assustar ou te dar dopamina nos primeiros dois minutos. Isso faz a gente perder a oportunidade de gostar de muitos games, simplesmente porque estamos acostumados a ter estimulo logo de cara. Isso não é nenhum mind blowing, é um tópico já discutido, principalmente em outras áreas, como em filmes e séries. Muito desse sintoma é devido a como o nosso cérebro esta sendo treinado pelas redes sociais. Isso não é teoria da conspiração. Empresas precisam lucrar e elas só lucram se você se interessar no que ela vende. Hoje em dia existe uma grande competição em nos prender em frente a uma tela. O jeito mais eficaz de fazer isso é liberando dopamina nas tuas fuças o mais rápido possível. Isso faz com que muita arte fique capada, rasa, imediata. Sem essa de construir um enredo ou mecânicas mais elaboradas (afinal isso demora para aprender e o seu cérebro perde o interesse). Toda essa exposição a vídeos curtos,  roteiros diretos e mal cozinhados e a jogos que a cada dez minutos te apresenta algo novo e excitante, nos faz ficarmos ansiosos quando o que queremos consumir não entrega nada disso. E isso também vale para o joguinho que você começou, esta se divertido, mas pensa "eu estou gostando disso, mas vou gostar mais ainda daquele outro jogo desconhecido e que parece ser muito divertido também".

Mas como nos forçar a terminar algo que não estamos interessados? Principalmente quando esse "algo" é lazer. Lazer está relacionado a diversão e não a trabalho ou dever. E se você não vai se divertir em terminar aquele "algo", então porque terminar? O nosso cérebro já faz essa conta, ele relaciona: você não vai se divertir, então nem tente. Mas será mesmo? Você já notou, e quando eu digo você, eu me refiro a quem tem ansiedade ou algum problema psicológico. Que muitas vezes o nosso cérebro mente? Ele tenta a todo custo impedir que façamos coisas que são saudáveis por pura preguiça. "você não precisa treinar hoje, tire esse dia para relaxar" ou "você não vai gostar de terminar aquele capitulo, não vai ser divertido". Mas já notou que quando você não o ouve e decide treinar ou ler aquele capitulo você acaba gostando? Geralmente quando você ouve seu cérebro (nessas circunstancias) você acaba passando aquele tempo com a cara enfiada numa tela vendo reels, posts numa rede social ou coisas do tipo, coisas que liberam dopamina de forma rápida. O seu cérebro é um viciado. Ele vai tentar te convencer a fazer o que vai satisfaze-lo de forma mais veloz. O seu cérebro quer que você pegue o caminho mais rápido, ele não está bem.

É claro que isso tudo são teorias minhas e que podem ou não estarem corretas e que podem ou não servir apenas para mim ou para outras pessoas, isso é apenas um texto de desabafo. Ano passado mesmo eu consegui zerar vários Assassin's Creed, no entanto esse ano eu luto para chegar na metade da maioria dos jogos (enquanto escrevia esse texto adicionei mais um para jogatina: One Piece: Pirate Warriors 3 — a gameplay de hack and slash desse é boa demais, vou tentar finalizar ele, prometo). Eu irei tentar não adicionar mais nenhum jogo e tentarei terminar os que comecei, embora o meu cérebro diga que eu não irei gostar e preciso de algo novo e mais divertido, acho que eu preciso ir testar por conta própria, não é mesmo? 

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