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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Life is Strange: Double Exposure se sustenta em nostalgia, mas é aceitável | Resenha

 Life is Strange: Double Exposure fica numa área muito delicada que eu chamo de jogo mediano. Eu o acho mediano? Jamais, eu adorei joga-lo, mas é o tipo de game que não vai conseguir agradar a maioria das pessoas. Seja pelas escolhas de enredo que os roteiristas tomaram, certa mediocridade no esqueleto da história ou pelos bugs estéticos mesmo. E o jogo estar nessa área de mediocridade faz com que muitas pessoas nem tentem experimenta-lo. Mas eu estou aqui para te dizer, experimente! Para começar, se você caiu aqui de paraquedas, saiba que é extremamente importante ter jogado o primeiro Life is Strange para poder jogar o Double Exposure. Ele é uma continuação direta, que traz a Max de volta tentando lidar com as consequências de suas escolhas no primeiro jogo.

E falando de escolhas, os fãs de LiS vivem uma eterna briga justamente pelas escolhas morais lá do primeiro jogo, que é a fatídica escolha: Salvar a Chloe, que é a sua melhor amiga ou salvar uma cidade inteira, com seus colegas, família da Chloe e milhares de desconhecidos. Aparentemente se você salvar a Chloe você vira um monstro para 48% do fandom de LiS, pois bem, eu faço parte desses 52% de monstros, mas eu deixarei para discutir isso em outro post. O que quero falar aqui é que essas escolhas do primeiro jogo, independente do que você escolheu, assombra a Max durante o Double Exposure, afinal ela tem que lidar com a morte de milhares de pessoas em suas costas ou lidar com a morte de sua melhor amiga/amor platônico. E por causa disso, ela decidiu parar de usar seus poderes de rebobinar o tempo. Ah, sim, eu não contei, né? Em Life is Strange os protagonistas geralmente tem algum tipo de poder, e os da Max era justamente de voltar no tempo, o que não deixa de ser um fator interessante para um game de escolhas.

Em Double Exposure, Max está agora dando aulas de fotografia numa universidade, agora uma jovem adulta bem resolvida. Como eu escolhi salvar a Chloe eu deixei a vida dela um pouco mais fodida, pois a coitada tem que conviver com o fato de milhares de pessoas terem morrido por suas escolhas, mas vocês sabem como é a vida, né? O coração quer o que ele quer. E a Chloe? Bem, a diva atormentada e com personalidade de Azealia Banks deu um pé na bunda da Max. Mas amar é deixar ir, eu sei que eu preferiria o amor da minha vida com outra pessoa do que dentro de um caixão. Aliás, se você salvar a Chloe você descobre que a maioria das pessoas em Arcadia Bay morreram mesmo, mas adivinha só quem ainda está viva? A puta da Victoria. 

Eu confesso que o primeiro capitulo é bastante chato no inicio, justamente porque as coisas demoram a decolar. Tipo assim, eu estou dando zero fodas para Safi ou Moses e essa nova crush da Max, a tal da Amanda: química zero. Sem contar que, já perceberam, que com exceção da Max, todos os outros personagens parecem terem saído direto de The Sims 4? Então, durante o primeiro capitulo eu fiquei um pouco entediado com aquilo tudo, pois você (o jogador, não to falando da Max) é inserido num cotidiano que já está rolando, é meio que aquela sensação de ser transferido para uma nova turma no meio de maio. Uma coisa legal, é que diferente do primeiro LiS que não tem nada direto sobre a sexualidade dos personagens, aqui a Max é claramente bissexual, sendo possível você dar uns pegas em certos momentos tanto em um personagem masculino quanto num feminino, além de ter outros personagens LGBTQIA+ na história, de forma bem natural, sem diálogos expositivos ou coisa do tipo. Mas voltando pro capitulo chato, ele começa a melhorar um pouco depois da morte da Safi (relaxa, isso não é spoiler, está na sinopse do jogo), até lá você já está mais familiarizado com os personagens e a Max descobre os seus novos poderes. Sim, nada de rebobinar o tempo, agora a nossa INFP favorita pode viajar entre duas realidades paralelas, sendo que na segunda realidade a morte da Safi não aconteceu, e a Max decide investigar quem é o assassino da amiga interagindo com os personagens das duas realidades.

Mas essa gameplay agrada? É melhor que voltar no tempo? Eu gostava dos poderes antigos da Max, mas sempre achei muito estranho você poder voltar no tempo em um jogo de escolhas, sempre me sentia como se eu estivesse trapaceando e talvez essa fosse a genialidade da coisa. Mas o poder viajar entre realidades é muito divertido, porque te permite explorar o mesmo mapa em realidades diferentes, com versões de personagens que tiveram vivencias diferenciadas. No entanto uma coisa que me desagradou MUITO, foi a Max ficar te dando dica do que fazer a cada 30 segundos. Era como se os desenvolvedores achassem que os jogadores eram completos imbecis que não conseguiam jogar o jogo por conta própria. Você também tem um poder secundário, que é ver o que as pessoas estão fazendo na outra realidade sem precisar ir nela, é ótimo para poder escutar conversas. Mas uma coisa que não exatamente pode ser algo ruim, apenas uma observação, é que o jogo é muito roteirizado e linear, eu sei que essa é a proposta dele, mas ainda assim, você meio que se sente preso a fazer o próximo objetivo, em vez de explorar um pouco a universidade ou a casa da Max, sendo que tem colecionáveis espalhados pelos cenários e o gráfico dos mapas são lindos quando o jogo não buga eles por alguma incompatibilidade nas suas configurações. 

E o desfecho? Olha... não vou te dar spoilers, mas está longe de ter um climax, como teve no primeiro liS. O jogo acaba com cara de continuação (e tem continuação mesmo) com direito até uma frase ao estilo Vingadores: "Max Caulfield irá retornar". Mas não é apenas esse detalhe que deixa o jogo com cara de Vingadores ou da Marvel no geral, tem outros pontos no final da história que você se pega pensando "copiaram o estilo da Marvel na cara dura!", e eu nem sei se isso é algo bom, porque veja bem, os roteiros da Marvel funcionaram... há uns sete anos atrás. Mas só jogando o Reunião (ultimo jogo da franquia) para saber se deu bom isso dai. Uma coisa que eu sempre gostei em liS era o sobrenatural sendo um detalhe (importante), mas no meio do ordinário. As conclusões em Double Exposure podem mudar um pouco disso.

A trilha sonora é uma decepção tão grande, acho que foi o ponto negativo que mais me pegou. Em LiS as musicas eram basicamente uma parte importante das cenas. Obsctacles começava a tocar e você sentia dopamina ser liberada em seu organismo. As musicas do Double Exposure não são ruins, mas são apáticas, sem sal, eu não me lembro mais de nenhuma, na verdade nem sei diferenciar se teve mais de uma musica nesse jogo, pois tudo soava igual.

Eu gostei muito de jogar o Double Exposure, talvez um pouco pela nostalgia, pois o primeiro LiS é muito importante para mim, e ter a Max de volta, com seus comentários geek e seu jeitinho estranho e introspectivo de volta foi maravilhoso (eu também sou INFP, tá?). Mas além de ter deixado algumas pontas soltas (O detetive! Qual detetive? Jogue pra saber!), o roteiro e personagens em geral não são tão bons. E isso nos traz de volta ao mediano. Double Exposure é um jogo mediano, ele é bom porque tem pontos bons que se destacam, muitas vezes ancorados em nostalgia, mas não é o suficiente para faze-lo um jogo memorável. Você pode até gostar dele, mas você sente o quão ele poderia ter sido melhor, se explorassem mais o roteiro ou tivessem aprofundado mais os personagens secundários. Sem o fator nostalgia, sem o histórico de Max e Chloe, é apenas um jogo muito mediano. Talvez por isso ele se escore tanto no passado da Max, porque é importante não apenas para a personagem, mas para o jogo ter profundidade. E isso é ruim? Não, o passado traumatizante da protagonista deve ser trabalhado, mas e o presente? Se focar apenas no presente, a história não seria marcante, não se sustentaria e isso faz o jogo perder pontos, faz ele soar preguiçoso.

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